Piperácea - Valéria Prochmann

Radicalidade hiperativa piperacea@terra.com.br twitter: @piperacea @valerymais posts de eventos podem ser excluídos após a realização dos mesmos para aumentar o espaço disponível

22

de
dezembro

Mexa a colher da sua vida!

Brigitte Bardot em Búzios

Brigitte Bardot em Búzios

 

Que vc tenha um novo ano com muita vitalidade!

Desenvolva o talento para ser feliz, tornando a vida mais saudável, mais alegre e mais fácil:

. mande as preocupações ralo abaixo;

. queime os problemas;

. brinque um pouco, sempre;

. ponha fantasia na sua rotina;

. cuide-se bem e preserve seu encanto;

. alise seu ego: escreva uma carta de amor para vc;

. corte as amarras, passando a tesoura nos barbantes de quem anda sufocando vc;

. mexa a colher da sua vida;

. massageie as orelhas;

. admire a natureza;

. muito sexo (para os iniciados);

. muitos passeios;

. aguce os sentidos;

. aceite a realidade; 

. ocupe os vazios;

. seja sustentável;

. eleja seu próprio amuleto de bons fluidos;

. planeje ser pego(a) de surpresa;

e ria, ria muito, pois o riso recicla a mente… atrai energia positiva… oxigena o corpo inteiro… impulsiona a criatividade… facilita a aproximação entre as pessoas… alivia as tensões e as dores… enfim, fortalece a gente… e estando fortes podemos fazer mais pelos outros e pelo mundo!

 VIVA 2010!

 

21

de
dezembro

CHEGA DE SACOLINHAS E COPINHOS DESCARTÁVEIS!

Em 2010 se ligue e aja de forma significativa: seja sustentável reduzindo suas pegadas de carbono para deter o aquecimento global e cuidando do planeta  

Inovação

Seja criativo: desenvolva soluções alternativas

com pouco impacto ambiental

 

Reciclagem

Separe e destine adequadamente seus resíduos voluntários

não jogue lixo e bitucas nos espaços públicos

 

Preferências

Escolha produtos com menos embalagens,

de empresas socialmente responsáveis,

com certificação ambiental, comércio justo, economia solidária

 

Responsabilidade

Não compre nada contrabandeado, pirateado ou

produzido à custa de trabalho explorado -

reduza e neutralize emissões de carbono

 

Generosidade

Doe o que não usa – seja voluntário por uma boa causa

respeite a si e seus semelhantes

 

Consciência

 

 

Evite o desperdício de recursos materiais, de energia e água

use sacolas e copos reutilizáveis 

imprima menos e use menos carro

coma menos carne e evite peles naturais

ponha focinheira e recolha os resíduos de seu animal de estimação

não compactue com touradas, farras do boi, rodeios

e outras iniciativas que maltratam e sacrificam animais e degradam florestas 

apoie as lutas e causas ambientais

pense bem antes de procriar – leia mais!

E dance, abrace, beije, cante, prospere, ria e sorria,

alegre-se, elogie, ame, arrisque-se,

entusiasme-se, plante, cultive o bom humor!

 

17

de
dezembro

Algo ou alguém?

“É incrível o que perdemos quando resolvemos não ser “algo”

e sim “alguém” na vida.

Coco Chanel 

16

de
dezembro

Doe um tênis usado

Colaboração da amiga e leitora do blog, administradora Fabiana Milanez Schneider, corredora:
A Trainer Assessoria está com a boa campanha DOE UM TÊNIS USADO.
Se vc tem em casa aquele tênis “velhinho” ou até mesmo “usadão” e vc quer muito DOÁ-LO mas não sabe pra quem, chegou a hora! Vale tênis do maridão, dos filhos, dos irmãos… Fale comigo para deixar sua(s) doação(ões) até sexta, dia 18/12/09, 12h. No sábado, dia 19/12/09, a partir das 9h, todos os tênis serão colocados em torno da ciclovia do Parque Barigui (atrás do Museu do Automóvel) para divulgar e conferirmos a distância que conseguiremos alcançar. Colabore e ajude assim muitos atletas jovens e adultos que não têm condições de comprar um tênis novo!
Obrigada e bons treinos!
Fabiana Milanez Schneider
fab.schneider@hotmail.com
++ 55 41 9638-4488

16

de
dezembro

O poder de um abraço

Colaboração da amiga e leitora do blog Cassandra Szuberski, advogada, diretamente de Campo Grande (MS):

É interessante como nos esquecemos de coisas elementares na vida. Quando crianças, temos o carinho de nossos pais ou de pessoas com quem vivemos, e até de estranhos. Com raras exceções, toda criança pequena é objeto de abraços, beijos, carinhos, palavras doces e muita atenção. O afeto que recebemos e damos, parece que vai diminuindo à medida que os hormônios sexuais vão aumentando em nosso corpo, não por que uma coisa tenha a ver com a outra, fisiologicamente, mas pelo preconceito que criamos relacionando o toque físico com a sexualidade. De acordo com o Dr. Greg Risberg da Universidade de Medicina Northwestern de Chicago, o benefício fisiológico do abraço inclui uma redução da pressão arterial e um aumento de oxigenação do sangue. Segundo o Dr. Risberg, todos temos o que se poderia chamar de “fome da pele” e nossa saúde corre sérios riscos se não recebermos carinho continuamente na vida (a prova mais marcante disto, são os experimentos feitos com animais separados das mães e que ficam sem afeto físico durante longo tempo). Diz ainda o Dr. Risberg que para saciar nossa “fome da pele”, são requeridos no mínimo quatro abraços bem dados por dia. Essa tal de “fome da pele” deve variar muito de pessoa para pessoa, pois eu não me sinto saciado com menos de seis abraços – que eu chamo de “abraços nutritivos” – por dia. O Dr. Stanley Simon da Universidade de Massachussets diz que um abraço faz mais do que expressar apenas afeto. É uma forma de ajudar a manter o organismo saudável. A pele é o órgão sensorial mais extenso de todo o corpo. Se pouco estimulado, poderemos desenvolver uma sensação de mal-estar, falta de energia e até uma tendência depressiva pela redução de serotoninas no organismo. Para os maridos, noivos, namorados, companheiros, etc..que ainda não sabem, e pedindo permissão para as mulheres, eu vou tomar a liberdade de dizer uma coisa sobre elas. As mulheres (como os homens) adoram abraços. Mas ficam ressentidas quando eles as ignoram todo o dia e só se lembram de um abraço na cama, quando as luzes são apagadas, com outra finalidade que não é só abraçar. Elas querem um abraço, quando um abraço significar apenas isso. Não necessita ser demorado, sugestivo, sensual, nada disso. Apenas um abraço que diga: “eu amo você”; “eu gosto de ficar perto de você”; “você é importante para mim”; “eu gostaria de passar mais tempo junto com você”. Mas não apenas as mulheres. Os filhos, filhas, pais, mães, todos têm essa mesma vontade. Ações falam mais alto que palavras. Não diga nada, apenas chegue perto e dê um abraço “nutritivo”, demorado, sinta uma energia boa fluir para a pessoa que você ama e dela para você, mesmo que tenha medo de dizer que a ama. Não precisa falar nada. Apenas abrace. Você nem imagina como é bom para a autoestima dos dois.

15

de
dezembro

Hora de agir pelo clima: sua assinatura vale um futuro

Última chamada para assinar o documento por um tratado global justo, ambicioso e compromissado pelo clima na COP15. O abaixoassinado será entregue amanhã aos líderes mundiais. Quem ainda não assinou pode subscrevê-lo aqui.

15

de
dezembro

Ato médico: pronuncie-se

A Agência Senado está promovendo uma pesquisa sobre a regulamentação da Medicina. A pergunta “Você é a favor ou contra a regulamentação do exercício da Medicina nos termos do projeto PLS 268/02 (Ato Médico)?” ficará até o fim de dezembro e pode ser acessada na página principal da Agência.
É necessário demonstrar cabalmente uma posição a favor da melhor qualificação da atenção à saúde. O presidente da Associação Médica Brasileira, José Luiz Gomes do Amaral encaminhou carta aos senadores, explicando a importância para a população da aprovação da regulamentação da medicina.
Minha irmã médica Dra. Vanessa Prochmann Esber observa que “o ato médico é importante e definitivo, pois muitas vezes é este procedimento que determina a vida do paciente”. Muitas profissões iniciadas como paramédicas atualmente se arvoram o direito de realizar determinados procedimentos de risco para os quais somente o médico está preparado, comprometendo a qualidade de atendimento. Depois que os erros acontecem nos procedimentos realizados, é nas mãos do médico que a “bomba” cai para consertar os “estragos”, muitas vezes irreparáveis. A lei do ato médico define claramente os novos papeis e funções, a que profissional cabe qual responsabilidade de acordo com sua respectiva área de atuação, facilitando a compreensão por parte da sociedade e o acesso da população leiga. Eis o motivo da importância do seu pronunciamento em favor do ato médico. Acesse agora mesmo o link e não deixe de repassar para seus familiares e colegas médicos: http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0:


14

de
dezembro

Eventos mil

Sempre ativa, Maria Christina Andrade Vieira lançou seu blog Des(a)sossego no dia 8, em evento no Hotel Mabu, patrocinador da iniciativa. Na ocasião, a autora leu trechos do futuro livro Tempo (&) Memória.

Edeluz Maria Taborda Ribas Alves é outra que vive agitando. No dia 9 foi reempossada no cargo de presidente da AMASS, associação de moradores e amigos da Praça Santos Andrade e Passeio Público de Curitiba, para o qual foi reeleita merecidamente, pois desenvolve um trabalho sério, atento e dedicado de cuidado com o centro da nossa cidade.

A ESIC Business & Marketing School reuniu seus professores e funcionários em confraternização na última sexta (11) em sua sede na Rua Padre Dehon. Alexandre Weiller - que foi meu aluno no MBA de Marketing em 2006 - atualmente coordena a pós-graduação da instituição.

Com o espetáculo “Francês através da Música”, regido por Leila Carvalho, o Solar do Rosário encerrou sua programação semestral no dia 10 apresentando belas canções francesas, em homenagem ao Ano da França no Brasil.

Lisa e Marinho, Virginia Moraes e Rubens Gennaro, Valéria Prochmann e Paulino Viapiana jantaram juntos na Sociedade Garibaldi

Lisa e Marinho, Virginia Moraes e Rubens Gennaro, Valéria Prochmann e Paulino Viapiana

O engenheiro Mário Ferreira Costa e a esposa australiana Lisa visitaram Curitiba e se encontraram com os velhos amigos. Marinho - como é chamado pelos íntimos - deixou a cidade nos anos 80 rumo à Austrália, já formado em Engenharia Civil pela UFPR, quando atuou com destaque no movimento estudantil, integrando diretoria da UPE - União Paranaense dos Estudantes e do DCE/UFPR. Depois de ralar muito como lavador de carros e porteiro de hotel, conquistou excelente emprego como engenheiro e por lá encontrou o amor de sua vida.

Na noite de sábado (12) meu namo Paulino e eu atendemos ao convite do amigo e colega de turma de Jornalismo UFPR, cineasta Marcos Joel Jorge e esposa Claudia de Natividade, para jantar italiano preparado pelo casal especialmente para nós em seu belo apartamento no centro de Curitiba.

Outro belo espetáculo marcou o encerramento da temporada 2009 da Camerata Antiqua de Curitiba regida por Marcelo Jardim na Capela Santa Maria, inteiramente restaurada pela Fundação Cultural. No programa, Sinfonia para Orquestra de Cordas (Sergio Di Sabbato), Missa em Dó Menor (Henrique Oswald) e a estreia mundial de Os Sertanistas Brasileiros (Hudson Nogueira), baseado no livro Almanaque do Sertão, de Orlando Villas Boas. O evento prestou homenagem à COP 15 cobrando compromissos efetivos para o combate ao aquecimento global. O deputado federal Gustavo Fruet não perdeu a oportunidade de assistir ao concerto.

Rossella e Walter Petruzziello, casal hiper VIP e feliz!

Rossella e Walter Petruzziello, casal hiper VIP e feliz!

Na noite de 9 de dezembro rolou o jantar de confraternização da diretoria da Sociedade Giuseppe Garibaldi, presidida por Celso Gusso com a presença de Dom Moacir Vitti.

Vem aí a 28ª Oficina de Música de Curitiba - de 10 a 31 de janeiro com uma novidade: o evento vai neutralizar a totalidade de suas emissões de carbono. Grande programação de música erudita, antiga, MPB, eletrônica e latinoamericana em concertos, shows, palestras, cinema, oficinas e workshops. Férias com música! Oba! www.oficinademusica.org.br

14

de
dezembro

Sou da Paz

O Centro Histórico de Curitiba agitou-se na semana que passou com apresentações do Coral Sou da Paz em frente à Sociedade Garibaldi, que se iluminou toda para as festas natalinas. Estavam presentes aos eventos Fernanda Richa, Luiz Felipe Braga Cortes, Juliana Vosnika, Paulino Viapiana, Rubens Gennaro e Virginia Moraes, Vicenzo Cortese (presidente da Fondazione Itália), Vittorio Romanelli (presidente do Dante Alighieri), Vittoriano Speranza (Cônsul da Itália), Roberto Gava, Rosângela Battistella, a cantora Rogéria Holtz e o arcebispo Dom Moacir Vitti. Clique na imagem para ampliar.
 

 

 

14

de
dezembro

Bomba populacional

A propósito da Cúpula do Clima COP 15 em andamento em Copenhague, vale o alerta do editorial da revista Veja desta semana sobre a bomba populacional, a qual merece tanta atenção quanto as energias e tecnologias alternativas, consumo consciente e reflorestamento. O planeta contabiliza atualmente 6,8 bilhões de pessoas com expectativa de vida de 67 anos, contra 5,1 bilhões em 1990 quando a expectativa de vida era de 63 anos. São 213 mil pessoas a mais por dia que, ao longo de suas vidas, emitirão 300 toneladas de dióxido de carbono cada uma. Um ser humano adulto produz em média 4,3 toneladas de gás carbônico por ano. Os animais domésticos também dão sua “contribuição” ao aquecimento global. Um cálculo comedido projeta a população mundial para 9,2 bilhões de pessoas em 2050, o que por si só torna o planeta absolutamente insustentável e cronicamente inviável. A humanidade precisa encarar de vez o excesso de gente sobre a face da Terra como um risco para a saúde global e reduzir drasticamente a procriação para que a espécie sobreviva. Conforme preconiza a revista, a maior força moral está em convencer o bem-educado e bem nutrido ser humano de classe média alta a repensar seu modo de vida, optando por uma sobrevivência mais frugal, pois as conversões ao naturalismo e à alimentação orgânica e vegetariana são ainda insignificantes do ponto de vista global. A elevação do padrão cultural e educacional da população sempre coincide com a diminuição da taxa de fecundidade. Quando se torna mais amplo o acesso à educação, à cultura e ao conhecimento, as populações passam a crescer em ritmo menor e até a decrescer, observa o economista Sérgio Besserman, ex-presidente do IBGE, em entrevista à revista.

11

de
dezembro

Divórcio imediato

Na semana que finda me envolvi em polêmica no painel do leitor da Folha de S.Paulo em defesa da PEC n° 28/09 aprovada pelo Senado, que possibilita o divórcio imediato, acabando com os prazos de espera para a dissolução jurídica das sociedades conjugais. A meu ver o casamento contemporâneo deveria ser baseado em afetividade e atração sexual. Quando acaba o amor - e até hoje ninguém sabe para onde ele vai depois que acaba - é melhor o divórcio para que as pessoas possam tocar suas vidas afetivas, amorosas e sexuais sem embaraço, afinal a vida é boa, curta e passa rápido. O contrário disso é enterrar-se na infelicidade e na mediocridade de um cotidiano de indiferença, violência física e/ou moral, terrorismo íntimo, hipocrisia, camuflagem social e sofrimento psíquico que ninguém merece. Quanto mais esperam os casais, pior se torna a situação, via de regra. As pessoas tendem a se encantar por terceiros e quartos elementos, como bem ilustra o romance de Goethe “Afinidades Eletivas”, os quais invariavelmente serão transformados em bodes expiatórios culpados pela ruína de um casamento que de fato já estava arruinado, pois somente os próprios cônjuges têm o poder de destruir seu casamento. Cabe lembrar que as pessoas religiosas não serão obrigadas ao divórcio imediato e poderão esperar o tempo que quiserem para refletir e tentar reconciliações. Casais divorciados, caso se “reapaixonem”, podem se casar de novo no futuro. Porém o divórcio imediato é uma importante vitória da autonomia dos sujeitos sobre suas vidas privadas, como bem observa o presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Rodrigo da Cunha Pereira, em brilhante artigo de caráter liberal publicado na Folha de S.Paulo (05/12/09). A iniciativa vem descontaminar a legislação brasileira dos elementos religiosos e interferências do direito canônico, significando a vitória da etica sobre a moral, do direito sobre a religião, do princípio da liberdade dos sujeitos de dirigir as próprias vidas sem a indesejada intervenção do Estado, ao qual não cabe controlar nem estipular prazos para duração da intimidade, desejo e amor de um casal.

Beijo de Rubens Gerchman (1942)

Beijo de Rubens Gerchman (1942)

 

A propósito, vale a dica de especialistas no Oprah Winfrey Show exibido hoje: dez segundos de beijo na boca por dia fazem milagre num relacionamento! Em vez de procriar tanto, ganhar tanto dinheiro, acumular tantos bens e desfilar tanto para a plateia, os casais deveriam é se beijar mais na boca!

 

 

 

 

9

de
dezembro

Em busca da testosterona perdida

Muito oportuna a matéria “Papai não é mamãe” publicada pela Veja desta semana, colocando em perspectiva e discussão o ideal de paternidade pós-feminismo, que vem complementar a reflexão proposta por este blog há alguns dias sobre o mito do amor materno. Além de “usar” o amor materno em seu próprio favor, a mulher pretende transformar o marido pai dos filhos dela em “mãe” de modo a atender às conveniências dela - leia-se: ”prender” o homem e liberar-se de parte do pesado fardo das tarefas práticas de cuidados com os filhos que ela quis ter. Prender literalmente: a matéria narra o caso de uma que trancava o marido em casa para que ele não a deixasse nas manhãs de sábado e ele pulava a janela para ir jogar futebol com os amigos.

O texto aborda os excessos na concepção mais difundida de paternidade moderna, equiparando pai e mãe na capacidade de suprir as necessidades físicas e afetivas dos filhos, forçando o homem a agir como se pudesse substituir a mãe, o que pode ter efeitos devastadores para o indivíduo, o casamento e a família. Os homens não são fisicamente adaptados e naturalmente equipados para cuidar dos filhos com a mesma desenvoltura que as mulheres, mas estão sendo insistentemente cobrados a fazê-lo como se isso fosse “natural”. O resultado é frustração: o homem quer ser um pai participativo mas se sente inútil quando não dá conta do recado à altura da expectativa criada pela mãe. O excesso de expectativa e ansiedade em relação ao papel paterno submete o homem à pressão da mulher para que exerça a paternidade de uma maneira historicamente inédita, em que lhe são confiadas várias tarefas maternas para as quais ele tem uma limitação natural.  A maioria dos homens que se põem a realizar trabalhos associados a mulheres experimenta uma sensação de perda de virilidade, o que tem bases químicas. Os níveis de testosterona são em média mais baixos nos homens casados do que nos solteiros. 

O psicólogo evolutivo David Barash (Universidade de Washington) observa que o envolvimento do pai com os filhos é proporcional ao grau de certeza que o macho tem de que a prole carrega seus genes, ao contrário da mãe que sempre sabe que deu à luz aquele filho. O homem se tornou mais apto a tecer alianças externas e têm mais receio de sentir sua vida social reduzida com a chegada de um filho - aquele serzinho adorável - e gritante, chorão, irritante… O psicólogo norteamericano Aaron Rochlen (Universidade do Texas), por sua vez, defende que não se pode exigir que os pais assumam o papel de mães. A matéria resgata ainda os preceitos da psicanálise, segundo a qual no início da vida a criança percebe a mãe como ser todopoderoso numa relação sem espaço para mais ninguém. Apenas depois de alguns meses do nascimento, o bebê consegue identificar a existência de um terceiro indivíduo - o pai - que disputa sua atenção com a mãe. No papel de “o outro”, é o pai quem estabelece o vínculo da criança com o mundo externo e lhe permite ganhar independência da mãe. O pai é essencial na formação sexual da filha, por revelar a diferença, e do filho, por confirmá-la. Pais obrigados a agir como mães podem desequilibrar essa equação.

Minhas conclusões:

. a mulher desta era pós-feminista trabalha, tem independência financeira, mas continua querendo casar, ser mãe e “prender” o homem por meio da casa e dos filhos, pois sem esse homem não consegue se sentir realizada como indivíduo; o dinheiro que ela ganha nunca é o bastante e ela sempre está de olho no dinheiro ganho pelo marido;

. na atualidade, para “preservar a espécie” não mais é preciso reproduzir-se, pois o planeta está superpovoado de humanos - relevante e essencial é cuidar do meio ambiente e tornar a vida humana sustentável, do que a imensa maioria ainda não se deu conta, permanecendo na fixação da reprodução;

. o pai tem o direito de exercer a paternidade segundo suas próprias capacidades e habilidades e o modelo definido por ele mesmo - não é obrigado a seguir os ditames da mãe/esposa nem dos cursos, cartilhas e manuais da igreja;

. o pai não é nem mesmo obrigado a casar com a namorada que engravida com o objetivo claro de prendê-lo: só é obrigado a assumir a paternidade legalmente e dispensar ao filho os cuidados e a atenção necessários ao seu pleno desenvolvimento como ser humano;

. a forçação de barra das mulheres para que o homem seja o pai por elas idealizado pode resultar mal, levando o casamento à ruína, pois o homem sairá em busca da testosterona perdida…

8

de
dezembro

Casal que se balança unido permanece unido…

 

 

8

de
dezembro

Let´s have a party!

Aberta a temporada de Festas, administrar as agendas de eventos torna-se tarefa mágica. Todos querem se reunir em confraternizações - e é ótimo que assim seja, pois ao término de um ano de árduo trabalho e empenho das equipes, relaxar é preciso, sorrir é gostoso, abraçar é uma delícia, dançar é adorável, brincar é fundamental. Afinal, como proclamou o velho Vinicius, a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida… Nem sempre damos conta de estar em todos os eventos e ver pessoalmente todos os amigos e familiares queridos como gostaríamos. Nas últimas semanas, consegui rever meus amigões da Banda Vemagets - Rafael, Samuel, Jeison e Vitório, que embalaram uma galera no porão do Hermes Bar. No sábado (5) fui ao jantar da Unimed Paraná - cliente Piperácea, realizado em alto estilo no Green Hall, no Jardim Social, fechando com chave de ouro as comemorações do 30° aniversário da Federação. Na oportunidade, foi apresentado o filme comemorativo e foram entregues os prêmios do Concurso de Jornalismo. A noite seguiu embalada com música pop que animou os participantes a dançarem e rebolarem muito na pista! No domingo (6) o Conselho Regional de Representantes Comerciais - CORE/PR - cliente Piperácea - realizou sua confraternização durante o dia, na Fazenda das Araucárias, com direito a piscina e parque de diversões. Na volta, reencontrei o amigo companheiro de movimento estudantil, engenheiro Mário Costa (Marinho) que mora na Austrália e está a passeio pelo Brasil com a esposa Lisa. Também presentes o casal Rubens gennaro e Virginia Moraes (Laz Audiovisual - cliente Piperácea) e a bela filha Beatriz. Ao fim da noite, nada como um cineminha: Abraços Partidos, do Almodóvar com Penélope Cruz, vale cada minuto! Os eventos que perdi também merecem registro: Gleuza Salomón promoveu palestra e lançamento de livro no Paço da Liberdade na terça (1) - Claudio Graminho e elenco encenaram “Retrato Falado” no Pé no Palco no final de semana - meu primo hair and makeup stylist Felipe Prochmann recebeu para festa americana sábado (5). Recebi “Maldita Lasanha - o filme”, produzido por uma equipe de alunos de Jornalismo da PUCPR entre os quais está Carol Fornazari, prodígio e promissor talento da profissão, que estagia na Primeira Linha Comunicação de Isabela França. Carol tem sangue bom - é filha do médico ginecologista Luiz Angelo Fornazari e sobrinha da minha amiga-irmã Claudia Wasilewski, também companheira de movimentos estudantis, além de sobrinha-neta de Carmem Wasilewski a quem muito admiro e quero bem. Família de grandes qualidades humanas.

A dupla Evelyn Thais de Almeida e Jossania Veloso agita a área de marketing e comunicação da Unimed PR com muito talento e competência

A dupla Evelyn Thais de Almeida e Jossania Veloso agita a área de marketing e comunicação da Unimed PR com muito talento e competência

O par afetivo Manoel Almeida Neto (médico e vice-presidente da Unimed PR) e Ângela Carvalho (médica ginecologista e obstetra) curtiu a festa com alegria e ternura

O par afetivo Manoel Almeida Neto (médico e vice-presidente da Unimed PR) e Ângela Carvalho (médica ginecologista) curtiu a festa com alegria e ternura

Unimed PR festejou seus 30 anos em alto estilo no Green Hall, Jardim Social

Unimed PR festejou seus 30 anos em alto estilo no Green Hall, Jardim Social

Eu e Daniele Mormito, assessora da presidência do CORE/PR, aproveitando o entardecer na Fazenda das Araucárias

Eu e Daniele Mormito, assessora da presidência do CORE/PR, aproveitando o entardecer na Fazenda das Araucárias

4

de
dezembro

Feminismo

4

de
dezembro

Cai o mito do amor materno 11 - a distribuição das cartas

O estudo de Elisabeth Badinter em “Um amor conquistado - O mito do amor materno” conclui que a maternidade, tal como é vivida há séculos, é apenas o lugar da alienação e da escravidão femininas. A mulher reivindica o direito absoluto a não ter filhos e proclama a exigência de uma dissociação entre procriação e criação dos mesmos como incumbência exclusivamente feminina, requisitando mudança no comportamento dos homens. Não só não deseja ter filhos para merecer o título de “realizada” como para aceitar procriar exige que se partilhe com ela todos os encargos da maternagem e da educação. A sociedade parece estar tomando consciência do distanciamento das mulheres em relação à maternidade, remunerando-as para serem mães. Situação das europeias atualmente, sendo pagas pelos governos para procriar. No futuro, a sociedade tende a deixar de ser child-oriented.  A nova mentalidade feminina já não circunscreve a feminilidade na maternidade e pensa ser inteiramente possível a uma mulher sentir-se realizada sem filho. Convém deixar em paz aquelas que não são dotadas para ser mães ao invés de as compelir contra seu desejo (ou não desejo), evitando o risco de engendrar crianças infelizes e adultos doentes. Muitos pais e mães já não gostam dos filhos. Vide os casos de milhares de crianças que sofrem sérios maus-tratos todos os anos, moralmente entregues a si mesmas. (Aqui chegamos no capítulo final ao tema que me levou a publicar esta série: as crianças assando trancadas dentro dos carros).  Com efeito, as mulheres já não mais têm o monopólio da ternura e os pais já não têm o monopólio da autoridade, inversamente. Estudos indicam que os homens aceitam dividir tarefas domésticas, mas não a inversão dos papeis tradicionais. Sob a pressão das mulheres, os novos pais maternam os filhos à imagem e semelhança das mães. São elas que os obrigam a serem bons pais, dividirem equitativamente os prazeres e encargos, angústias e sacrifícios da maternagem. Ao se percorrer a história das atitudes maternas, firma-se a convicção de que o instinto materno é um mito. Não se encontra nenhuma conduta universal e necessária da mãe. Aoi contrário, constata-se a extrema variabilidade de seus sentimentos, segundo sua cultura, ambições ou frustrações. O amor materno não é inerente às mulheres e sim adicional. Pode ser incerto, frágil e imperfeito. Quer prenunciemos o fim do homem ou o paraíso reencontrado, terá sido Eva, mais uma vez, quem modificou a distribuição das cartas!

4

de
dezembro

Cai o mito do amor materno 10 - a pedra no caminho da liberação feminina

As distorções entre o mito e a realidade do amor materno são muito bem abordadas por Elisabeth Badinter. O feminismo destruiu tornou caduca a teoria da mãe naturalmente devotada e nascida para o sacrifício, lançando os fermes de uma situação objetivamente revolucionária. Indagou que forças levaram a mulher a se considerar e a ser considerada um ser inferior, resposta a ser buscada junto à sociedade patriarcal. Criticou o freudismo por repetir o erro metodológico cometido por Rousseau, declarando o adquirido como inato. E propôs a medição do peso das tradições e imagens milenares sobre o psiquismo humano. Violação e brutalidade são tão inconvenientes às mulheres quanto aos homens, declarou o feminismo político. Os relatórios Hite e Kinsey confirmaram a importância do prazer clitoridiano. Tornam-se cada vez mais numerosas as mulheres que evitam ao máximo não só as tarefas domésticas, como também as maternas e conjugais, que já não consideram o lar como seu reino natural, questionando os homens e a sociedade que reflete seus valores. A partir da segunda metade do Século 20, as mulheres escolhem voluntariamente deixar casa e filhos para trabalhar fora como meio de realização e desenvolvimento da personalidade. À medida que as mulheres elevam seu nível de instrução, podendo aspirar a situações profissionais interessantes, maior é o número das que optam por abandonar as tarefas domésticas, a clausura do lar, o matrimônio e a maternidade, embora sucessivos governos nada tenham feito durante décadas para ajudar as mulheres que trabalham fora de casa. Quanto ao aleitamento, sabemos que as mulheres amamentam cada vez mais nas maternidades, mas ignoramos por quanto tempo elas continuam amamentando em casa… cada uma tem suas próprias razões para amamentar ou não. Mães que trabalham fora assumem um risco psicológico real e variável segundo as crianças, algumas das quais se adaptam melhor às mudanças e são menos frágeis do que outras. Na era contemporânea, a maternidade não é sempre a preocupação primeira e instintiva da mulher. Não necessariamente o interesse da criança prevalece sobre o da mãe. Quando libertadas das imposições econômicas, as mulheres nem sempre escolhem abandoná-las “pelo bem da criança”. Não há comportamento materno suficientemente unificado para que se possa falar de instinto ou atitude materna “em si”. Mulheres que se realizam melhor fora do que dentro de casa são quase sempre as que se beneficiaram de uma instrução superior e mais satisfação podem esperar do exercício de sua profissão. Os homens ainda participam muito pouco das tarefas domésticas, limitando-se a ajudar as mães em atividades consideradas incumbências femininas. A mãe “ativa” (que trabalha) dorme menos do que a mãe do lar. O mínimo de contribuição materna é sempre superior ao máximo de contribuição paterna. Está em curso uma mudança profunda de mentalidade. As mulheres deixam de fazer questão de conservar na família o poder que lhes confere a responsabilidade pelas tarefas a elas associadas. Há um generalizado mal-estar nos casamentos e um certo recuo em relação à maternidade, quanto mais jovens, instruídas e ativas são as mulheres, menos associam à maternidade seu êxito e felicidade. Demonstram um certo “cansaço” da maternidade, mais difícil de viver do que em geral se crê, descrita por muitas como um fardo que lhes consome a vida, com desencanto e esgotamento em relação à renúncia que a hercúlea tarefa representa para elas. Rancor e desejo de vingança transpiram dessas queixas: a experiência de mãe estragou-lhes a vida de mulher. Relações mãe-filho envolvem apenas os mesmos sentimentos encontrados em outras relações: amor, ódio, indiferença… Em vez de instinto, não seria mais adequado falar de uma fabulosa pressão social para que a mulher só possa se realizar na maternidade? Não será o desejo de maternidade uma compensação de frustrações diversas? A estratégia patriarcal (baseada em propriedade privada e herança) tem interesse em manter a confusão e a pedra no caminho da liberação feminina.

4

de
dezembro

Cai o mito do amor materno 9 - quando o filho vira o objeto fantasmático da mãe que não superou bem a fase pré-edipiana

Em ”Um amor conquistado - O mito do amor materno”, Elisabeth Badinter assinala que, para compreender toda a importância do pai, símbolo da lei e da interdição (prioritariamente a proibição do incesto), é preciso lembrar qye a díade originária mãe/filho pode se tornar patogênica. Se a relaçãop absoluta de dependência da mãe é necessidade biológica na vida do bebê, seu prolongamento indevido é obstáculo ao desenvolvimento da criança. Se por alguma razão a mãe superou mal, quando criança, a fase pré-edipiana, ela pode ter tendência a considerar seu filho como substituto sexual ou seu “objeto fantasmático”. Com isso, ela impede o desenvolvimento, que deve necessariamente passar pela fase edipiana. Presa ao mundo materno, a criança não consegue mais sair dessa relação sufocante, devoradora e tomar consciência de si mesma como sujeito sexuado e independente. Se o desejo incestuoso não encontra nenhuma lei que se lhe oponha (o nome-do-pai), a angústia domina a criança, que não encontra seu lugar no mundo. Quer a mãe seja patogênica ou não, o pai deve interferir, quando chega o momento, no par mãe/filho. É ele quem os deve separar e substituir a díade original pela relação triangular que é a única propriamente humana. Por sua presença, frequentemente mais simbólica do que efetiva, ele deve fazer compreender à criança que a mãe lhe é proibida porque pertence a um outro e que, para superar a angústia de castração, ela deve se resignar à renúncia do desejo incestuoso. É só quando interioriza a lei paterna que a criança pode ter um “eu” autônomo e se experimentar como um sujeito independente, capaz de enfrentar o mundo exterior.

A ideia da menor importância do pai e sobretudo de sua menor responsabilidade para com as perturbações psíquicas da criança é reforçada pela sua posição secundária. É sempre aquele que aparece “depois” do primeiro corpo a corpo da criança com a mãe, quando se instaura a dimensão linguística. Françoise Dolto assinala que o pai deve sair com os filhos, levá-los a ver coisas interessantes e devem saber que é sobretudo pela palavra que pode fazer-se amar afetuosamente e respeitar por seus filhos. Com isso, segundo Badinter, isso confirma a imagem tradicional do homem detentor da palavra e representante do mundo exterior que dá as razões dos seus atos e transmite a lei moral universal, porém a maternagem e a carícia lhes são vedadas sob pena de perder o respeito e a afeição dos filhos. O amor paterno tem, portanto, a particularidade de só ser concebido e realizado à distância tendo a razão como intermediária necessária. As amas de leite (precursoras das babás) deixam a criança no deserto de sua solidão, obrigada a cada relação tutelar sucessiva a construir uma rede nova, mais precária, de comunicação inter-humana que cada nova separação destroi.

Betty Friedan mostrou muito bem como as norteamericanas foram recondicionadas a ser mães devotadas e mulheres do lar após o término da 2ª Guerra, com a construção da “religião da mãe” apoiada pela mídia, edificando em torno da mãe toda uma mística e fazendo pressão ideológica sobre as mulheres para cumprirem seu “destino biológico”. O intento era que as mulheres voltassem das fábricas - onde substituíam a mão de obra masculina durante a guerra - para a casa, numa operação de “retorno ao lar” do qual eram guardiãs, reforçando sua imagem estereotipada da boa mãe no lar. Muitas resistiram a essas pressões, sobretudo as trabalhadoras (pobres, sem escolha) e as intelectuais em razão de suas convicções feministas. Agradeçamos às feministas por terem lutado por uma modificação da situação das mulheres e em particular da imagem da mãe. Graças à sua militância e a uma parte dos meios de comunicação, a sociedade ocidental tomou conhecimento do constrangimento feminino e materno.

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dezembro

Cai o mito do amor materno 8 - renunciadoras, reivindicadoras e aceitadoras

Em “Um amor conquistado - O mito do amor materno”, Elisabeth Badinter aponta que a psicanálise não só aumentou a importância atribuída à mãe como medicalizou o problema da mãe má sem conseguir anular as posições moralistas do século anterior e sem conseguir convencer da independência do mal psíquico em relação ao mal moral. Evocou a existência de uma bissexualidade psíquica original, trouxe os conceitos do medo da castração e do superego. Não podendo eliminar o pai para desposar a mãe, o filho se identifica com aquele que representa a lei e o mundo exterior. É essa interiorização da instância paterna que constitui o superego e encerra uma das fases essenciais à formação do adulto masculino. Essa fase é bem mais carregada de consequências para a menina, pois a instauração da feminilidade continua à mercê da perturbação provocada pelas manifestações da virilidade primeira. O distanciamento da mãe é considerado por Freud um passo muito significativo no desenvolvimento da menina, que espera obter do pai a satisfação que a mãe lhe negou. A regressão às fixações da fase pré-edipiana é muito mais frequente do que se supõe e entre os traumatismos e fantasias infantis de uma mulher muitas vezes se encontra a sedução pela mãe. A descoberta da castração provoca revolta e inveja do pênis, segundo Freud, marcando momento decisivo que pode levar à inibição sexual ou à neurose nas “renunciadoras”, ao complexo de virilidade nas “reivindicadoras” òu à feminilidade normal que consiste para a menina em abandonar o desejo do pênis em troca do desejo pelo filho nas “aceitadoras”. A tríade feminina seria composta de passividade, masoquismo e narcisismo. No masoquismo, a agressividade reprimida voltada contra o próprio ego se transforma em necessidade de ser amada. No narcisismo, a libido toma o ego por objeto (quando a criança ama a si mesma), o ego se defende e reforça sua segurança, o que é necessário para a superação das principais etapas da vida: o ato sexual, o parto, a maternidade, etapas da reprodução estreitamente ligadas ao sofrimento. A maternidade reduziria a tendência narcísica, pois pela posse do filho a mulher sente-se aliviada de sua inferioridade anterior. Transfere o ego para o filho, que é apenas o substituto do ego, prolongando no plano psicológico a relação biológica intrauterina numa tendência de conservação do cordão umbilical com a criança. Na psicanálise sempre se descobrirá, entre as pessoas que assim foram criadas, um desejo profundo e nunca satisfeito do seio materno. Estudos desmentem a ideia de uma atitude materna instintivamente boa. Nem todas as mulheres são espontaneamente maternais. A sociedade começa a oferecer às mulheres oportunidades de desenvolver seus egos fora da função reprodutiva, como por exemplo substituindo a força de trabalho masculina durante as guerras. A psicanálise nunca deixou de afirmar a heterogeneidade das funções paterna e materna. Enquanto a mãe simboliza amor e ternura, o pai encarna a lei e a autoridade. Enquanto louva-se o devotamento materno, pouco se menciona sobre o papel cotidiano do pai. Estas são as ideias principais que demarcam as palavras de Winnicott sobre a função paterna para persuadir a sociedade da menor importância do pai: a mãe é responsável pela boa paternidade do marido - a presença paterna não pode ser senão episódica - o pai nunca pode substituir a mãe - o bebê prefere a mãe - o pai é o escoadouro do ódio da criança. Psicanalistas mais modernos se dedicaram a repensar a questão do pai dissociando-o do simbólico (denominado por Lacan “nome-do-pai”) e concluindo que nenhum humano pode prescindir desse elemento fundador da ordem simbólica sem graves danos. Quando o nome-do-pai é excluído, a psicose se desencadeia na criança, que não consegue se erigir em sujeito: sujeito do discurso e sujeito social.

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dezembro

Cai o mito do amor materno 7 - a polícia da família e a decadência paterna

Concluindo a leitura de “Um amor conquistado - O mito do amor materno” de Elisabeth Badinter, a fase seguinte experimentada pela maternidade é marcada pela criança-mártir - uma espécie de “vingança” da mulher contra o engodo em que caiu. Sofrimentos, humilhações e violências são infligidos às crianças, consideradas culpadas de tudo. Crianças que perambulam pelas ruas são, aos olhos dos moralistas e filantropos, os sinais mais evidentes de uma mãe indigna que deveria ser “a polícia” da família. Um filho concebido fora do matrimônio é a prova certa da fraqueza e da frivolidade femininas, aos olhos dos moralistas - que põem a virtude acima do amor e condenam o trabalho feminino. As intelectuais são seus alvos preferidos - feministas são as grandes culpadas pela desagregação da família por se recusarem voluntariamente a restringir seu universo aos limites do lar e circunscrever suas vidas à maternidade e à casa. Ao aumento do papel materno correspondeu o declínio do papel paterno - a imagem do pai eclipsou progressivamente quando a mãe se apoderou de muitas funções, enquanto os negócios e a política absorviam os chefes de família. A sociedade estabelece uma clara distinção dos papeis parentais, posteriormente criticada por Marx e Engels (”divisão social dos papeis”). A mulher parece considerar lisonjeiro esse acréscimo de responsabilidades. É a mãe quem desempenha o papel de intermediária entre o filho e o pai, que se limita à posição de provedor, intermediária entre a antiga função importante de que gozava no auge do patriarcalismo e da função praticamente nula. Continua presente no inconsciente coletivo a ideia de que a criação de uma criança cabe antes de tudo à mulher, de que o pai é antes seu colaborador do que associado em igualdade de condições e finalmente de que a participação dele é menos necessária ou mais acessória, cabendo a ele encarnar a esfera exterior e pública. Isos até que o Estado toma o lugar do pai por meio do juiz de menores, assistente social, educador e mais tarde o psiquiatra, herdeiros detentores cada um de uma parte dos antigos atributos paternos. Eis que o patriarcado familiar é substituído pelo patriarcado de Estado por meio de uma política de proteger a infância com vigilância cada vez mais estreita da família. É por meio da criança que o Estado pretende controlar a família: ela veicula os valores do mundo exterior e os transmite aos pais, agora submetidos a maior controle de sua autoridade. A soberania paterna foi progressivamente transferida para o Estado: sua função simbólica usurpada pelo juiz; sua função prática tomada pelo educador. Na decadência paterna o homem foi despojado de sua paternidade, restando-lhe uma função meramente econômica. A autoridade do pai deixa de ser absoluta, recebida de Deus e confirmada pelo Rei para ser distribuída pelo Estado e vigiada por seus agentes. Daí que sua bondade e seu prestígios passem a ser medidos unicamente pela sua capacidade de sustentar a família (prover sustento - provedor / mantenedor). Mais ele se mata de trabalho para levar todo seu ganho para casa, mais seu valor é reconhecido socialmente. Um bom trabalhador volta ajuizadamente todas as noites para casa. Essa privação realiza-se com a aquiescência das próprias vítimas que não questionam a divisão familiar do trabalho e a distinção de papeis paterno e materno. A libertação econômica das mulheres e seu acesso às carreiras outrora reservadas aos homens virá a questionar o papel paterno.

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